O Ceará consolidou sua posição como o principal polo de calçados do Brasil. Em 2025, o Estado liderou a produção nacional do setor, com 206,8 milhões de pares fabricados, o que representa 24,4% de toda a produção brasileira. Os dados são do relatório Indústria de Calçados – Brasil 2026, da Abicalçados.
Além de produzir mais que os demais estados, o Ceará também ficou em primeiro lugar nas exportações por volume. No ano passado, foram enviados ao exterior 32,6 milhões de pares, equivalentes a 31,4% das exportações brasileiras de calçados.
O desempenho colocou o Estado à frente de tradicionais centros produtores, como o Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Na produção, o Rio Grande do Sul ficou com 22,8% do total nacional, enquanto Minas Gerais respondeu por 16,3%.
Apesar da liderança em quantidade, o Ceará ainda tem um desafio importante: transformar o alto volume produzido em maior faturamento. No ranking por valor das exportações, o Estado aparece em segundo lugar, com US$ 189,4 milhões, atrás do Rio Grande do Sul, que alcançou US$ 457,6 milhões.
Polos do interior puxam crescimento do setor
A força da indústria calçadista cearense está concentrada principalmente em quatro polos: Sobral, Fortaleza, Quixadá e Juazeiro do Norte. Juntos, eles respondem por 96,4% da produção estadual.
Sobral é o maior destaque. O município produziu cerca de 123,8 milhões de pares em 2025, o equivalente a quase 60% da fabricação de calçados no Ceará. Com esse resultado, o polo se manteve como o maior centro produtor do País.
Fortaleza aparece como o segundo principal polo estadual, seguida por Quixadá e Juazeiro do Norte. Cada região possui características próprias, seja pela presença de grandes indústrias, pelo número de empresas ativas ou pelo foco em mercados específicos.
Tradição, indústria e incentivos explicam avanço
A consolidação do Ceará no setor calçadista não aconteceu de forma repentina. A atividade tem raízes históricas ligadas à produção artesanal e ao uso do couro, tradição que ganhou força ao longo do tempo e abriu espaço para a industrialização.
A partir dos anos 1980, políticas públicas e iniciativas voltadas à organização da mão de obra ajudaram a fortalecer a cadeia produtiva. Depois, a chegada de grandes grupos industriais, atraídos por incentivos fiscais, estrutura logística e disponibilidade de trabalhadores, mudou o patamar do setor.
Um dos marcos dessa transformação foi a instalação de grandes fábricas em polos do interior, especialmente em Sobral. Esse movimento ajudou a levar emprego e renda para regiões que antes tinham menor dinamismo econômico.
Emprego também reforça importância da cadeia
O setor calçadista tem peso relevante na geração de empregos no Ceará. Segundo os dados citados pela SDE, o Estado ficou em segundo lugar no Brasil em ocupação na indústria de calçados, concentrando 24,5% dos trabalhadores do setor no País.
Horizonte aparece como o município brasileiro com maior número de empregos na atividade, com 14,4 mil postos de trabalho. Sobral e Quixeramobim também figuram entre os principais municípios do Brasil em geração de vagas no setor calçadista.
Desafio agora é agregar valor
Mesmo com liderança em produção e exportação por volume, especialistas apontam que o Ceará precisa avançar em inovação, tecnologia, marca e diferenciação dos produtos. A maior parte da produção ainda está ligada a itens populares, sintéticos e de menor valor unitário.
Outro ponto de atenção está na logística. Embora o Porto do Pecém seja considerado uma vantagem estratégica para exportações, custos internos e problemas em rodovias ainda podem afetar a competitividade da indústria.
A qualificação da mão de obra também aparece como uma necessidade para os próximos anos. Com a concorrência internacional, especialmente de produtos asiáticos, o Ceará terá de investir em tecnologia, automação, gestão digital e formação profissional para manter a liderança.
Ceará mira nova etapa da indústria calçadista
Com mais de 200 milhões de pares produzidos em um único ano, o Ceará já ocupa um lugar de destaque no mapa nacional dos calçados. Agora, o principal desafio é ampliar o valor gerado por essa produção.
Para isso, o setor deve apostar em inovação, fortalecimento de marcas, melhoria logística e qualificação profissional. A liderança em volume já foi conquistada. A próxima etapa é transformar essa força produtiva em mais receita, competitividade e desenvolvimento para o Estado.

