DO LITORAL AO SERTÃOO Ceará acontece aqui.Notícias que conectam você ao nosso estado
image

Fóssil de 430 milhões de anos encontrado em calçada no Ceará é exposto no Parque Nacional de Ubajara

Resumo

Uma pedra que fazia parte da calçada de uma residência em Tianguá, na Região da Ibiapaba, revelou um tesouro científico.

O material, que parecia apenas uma rocha com marcas curiosas, foi identificado como um fóssil com cerca de 430 milhões de anos.

A descoberta chama atenção porque os registros são mais antigos que os dinossauros e ajudam a contar uma parte importante da história geológica do Ceará.

Atualmente, a peça está exposta para visitação no Centro de Visitantes do Parque Nacional de Ubajara.

Rocha estava em calçada de moradora em Tianguá

O fóssil foi encontrado em uma calçada no município de Tianguá.

Segundo os pesquisadores, a pedra era usada no pavimento da casa de uma moradora conhecida como dona Rosinha.

A princípio, as marcas na rocha eram vistas apenas como um detalhe bonito.

Com o tempo, especialistas perceberam que aquelas formas tinham valor científico.

Elas não eram desenhos comuns, mas registros preservados da movimentação de seres vivos marinhos muito antigos.

O que são icnofósseis?

As marcas encontradas na pedra são classificadas como icnofósseis.

Esse tipo de fóssil não preserva o corpo do animal.

Ele registra sinais deixados pela atividade de organismos antigos.

Entre os exemplos estão:

  • pegadas;
  • rastros;
  • túneis;
  • marcas de locomoção;
  • ovos fossilizados.

No caso da peça encontrada em Tianguá, os registros indicam o movimento de animais invertebrados marinhos parecidos com vermes.

Esses organismos se deslocavam pelos sedimentos em busca de alimento.

A passagem deles deixou marcas que ficaram preservadas na rocha por milhões de anos.

Fóssil é mais antigo que os dinossauros

O material remonta ao período Siluriano, dentro da Era Paleozoica.

Naquele tempo, os dinossauros ainda nem existiam.

Grande parte da vida conhecida estava concentrada nos mares.

A região onde hoje fica a Serra da Ibiapaba tinha uma paisagem completamente diferente da atual.

Antes de se tornar serra, aquela área já foi coberta por um ambiente marinho.

Por isso, a descoberta ajuda a mostrar como o território cearense passou por grandes transformações ao longo da história do planeta.

Peça pesa cerca de 700 quilos

A rocha foi identificada por pesquisadores em 2019.

Ela pesa aproximadamente 700 quilos e tem formato triangular.

A base maior mede cerca de 1,20 metro.

O estudo foi conduzido pelo Laboratório de Paleontologia da Universidade Estadual Vale do Acaraú, em parceria com o Museu Dom José, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e moradores da região.

A participação da comunidade foi essencial para que o material fosse reconhecido, estudado e preservado.

Descoberta começou com comentário de estudante

A identificação do fóssil teve início de forma inesperada.

Durante uma visita ao museu onde atuava o professor Jarbas de Negreiros, um estudante da região de Tianguá comentou que havia algo parecido em sua cidade.

A observação despertou a curiosidade dos pesquisadores.

Depois, equipes foram até o local e confirmaram que se tratava de um fóssil.

A partir disso, começou o trabalho para retirar a peça da calçada e evitar que ela continuasse sofrendo desgaste pelo uso diário.

Projeto ajudou a preservar o material

A descoberta deu origem ao projeto “Pavimento a Patrimônio”, desenvolvido no ambiente acadêmico.

A proposta era estudar a rocha e, ao mesmo tempo, garantir sua preservação.

O nome do projeto resume bem a trajetória da peça.

O que antes era apenas parte de uma calçada passou a ser reconhecido como patrimônio científico e educativo.

A mudança também mostra a importância de olhar com atenção para elementos aparentemente comuns do cotidiano.

Serra da Ibiapaba já foi fundo de mar

A descoberta reforça uma informação importante sobre a história geológica do Ceará.

A atual Serra da Ibiapaba já esteve ligada a um antigo ambiente marinho.

Com o passar de milhões de anos, processos geológicos transformaram essa paisagem.

O material que estava no fundo do mar foi preservado, soterrado e, depois, elevado, dando origem à formação que hoje conhecemos como serra.

Esse tipo de achado ajuda pesquisadores a reconstruir a evolução dos ambientes, dos seres vivos e do próprio relevo da região.

Região tem outros sítios paleontológicos

O fóssil encontrado em Tianguá também impulsionou novas pesquisas na Serra da Ibiapaba.

Com a colaboração de moradores, estudantes e pesquisadores, outros locais com potencial paleontológico passaram a ser identificados.

Hoje, há mais de 13 sítios paleontológicos descritos entre Sobral e a Ibiapaba.

Os estudos apontam que a região faz parte da Bacia do Parnaíba, formada por antigos depósitos de rios e mares.

Essas áreas guardam pistas importantes sobre como era o planeta há centenas de milhões de anos.

Fóssil está exposto em Ubajara

A peça pode ser visitada no Centro de Visitantes do Parque Nacional de Ubajara.

Mesmo pertencendo ao Museu Dom José, o fóssil está emprestado por tempo indeterminado ao parque.

A exposição amplia o acesso do público ao conhecimento científico e fortalece o turismo educativo na região.

Além de atrair visitantes, o material ajuda estudantes, pesquisadores e moradores a compreender melhor a história natural do Ceará.

Onde visitar

O fóssil está exposto no Centro de Visitantes do Parque Nacional de Ubajara.

A sede administrativa do parque fica na cidade de Ubajara, na Rodovia da Confiança, CE-187.

O funcionamento informado é de segunda a sexta-feira, nos seguintes horários:

  • 7h30 às 11h30;
  • 13h30 às 17h30.

Tags:

Notícias todos os dias!

De domingo a domingo, as notícias que você não pode deixar de perder em seu e-mail.

Veja também: