Fortaleza pode ganhar novos trechos de BRT nos próximos anos.
A proposta faz parte de um estudo nacional sobre mobilidade urbana.
O objetivo é ampliar a rede de transporte público estruturado na Grande Fortaleza e tornar os deslocamentos mais rápidos, integrados e eficientes.
O que diz o estudo sobre o BRT em Fortaleza?
Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social — BNDES, feito em parceria com o Ministério das Cidades, aponta que a Grande Fortaleza precisaria ampliar sua rede de BRT de 5,3 km para 80,2 km para alcançar um cenário considerado ideal de transporte público.
A proposta integra o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana — ENMU, que selecionou 11 projetos para melhorar o transporte público na Região Metropolitana de Fortaleza. Desses projetos, sete envolvem corredores exclusivos de ônibus.
Quais vias podem receber novos trechos de BRT?
O estudo sugere novos corredores e ampliações em pontos estratégicos da cidade.
Entre os principais trechos estão:
- Avenida Washington Soares;
- Avenida Silas Munguba;
- BR-116;
- Avenida Presidente Costa e Silva;
- Avenida Bezerra de Menezes;
- Avenida Aguanambi;
- ligação até Caucaia;
- ligação até Itaitinga.
A ideia é conectar melhor bairros, terminais e municípios da Região Metropolitana.
BRT na Washington Soares
A Avenida Washington Soares aparece como uma das principais vias propostas para receber um novo corredor de BRT.
Segundo o estudo, o trecho teria 14,2 km de extensão.
O investimento inicial estimado é de R$ 889 milhões.
Esse corredor poderia melhorar o deslocamento em uma região com grande fluxo de veículos, comércio, universidades, serviços e acesso a bairros populosos.
BRT na Silas Munguba
Outra proposta é o chamado BRT Coité-Parangaba, previsto para a Avenida Silas Munguba.
O trecho teria 11,2 km e custo estimado de R$ 630 milhões.
A proposta também prevê conexão com o VLT da Parangaba, ampliando a integração entre diferentes modais de transporte.
Um dos desafios apontados pelo estudo é a implantação do corredor exclusivo em uma avenida com espaço viário mais estreito.
BRT na BR-116 até Itaitinga
O estudo também sugere a ampliação do BRT da Aguanambi.
Hoje, o corredor da Aguanambi opera entre a Avenida Domingos Olímpio e a Praça Manoel Dias Branco.
A proposta é ampliar esse sistema até o Terminal da Messejana, com mais 11,2 km. Depois, o corredor seguiria do Terminal da Messejana até Itaitinga, pela BR-116, com mais 16,4 km.
Esse novo trecho atenderia diretamente a mobilidade de quem circula entre Fortaleza, Messejana e Itaitinga.
Também teria impacto indireto para moradores de Eusébio e Aquiraz.
Quanto custariam as intervenções?
As propostas de BRT, incluindo novos corredores, extensões e requalificações, exigiriam investimento estimado de R$ 5,2 bilhões.
Esse valor corresponde a 24% dos R$ 21,6 bilhões previstos para todas as intervenções consideradas necessárias pelo estudo, incluindo também metrô e VLT.
Ou seja, o BRT é uma parte importante do plano, mas não é a única solução prevista para melhorar o transporte público da Grande Fortaleza.
O que muda na Bezerra de Menezes?
Fortaleza já possui BRT na Avenida Bezerra de Menezes, com 3,3 km.
Atualmente, o sistema opera com faixa exclusiva à esquerda entre a Rua Padre Ibiapina e a Avenida Humberto Monte.
O estudo propõe estender e requalificar esse corredor até a Avenida Mister Hull, acrescentando 9,5 km.
Depois, haveria nova extensão até o centro de Caucaia, com mais 6,3 km.

Por que ampliar o BRT?
A ampliação do BRT pode ajudar Fortaleza a enfrentar problemas antigos da mobilidade urbana.
Entre os principais benefícios esperados estão:
- menor tempo de deslocamento;
- mais integração entre bairros e terminais;
- maior previsibilidade nas viagens;
- corredores exclusivos para ônibus;
- redução da dependência de carros e motos;
- melhoria da experiência do usuário.
O estudo também discute tarifas integradas e estratégias para atrair passageiros de volta ao transporte público.
Os projetos já vão sair do papel?
Ainda não.
Segundo o BNDES, o estudo funciona como um ponto de partida.
A decisão sobre quais projetos serão executados cabe aos governos municipal, estadual e federal.
A Etufor informou que deve firmar contrato ainda no primeiro semestre de 2026 para detalhar os projetos.
Esses estudos mais aprofundados devem ajudar a avaliar desafios, custos, ajustes necessários e prioridades para a população.
